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	<title>Associação Profissão Jornalista</title>
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	<title>Associação Profissão Jornalista</title>
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		<title>Bandung 21: a Copa, a IA e a China</title>
		<link>https://apjor.org.br/bandung-21-a-copa-a-ia-e-a-china/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APJor]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 02:19:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 1955, a cidade de Bandung, na Indonésia, hospedou uma Conferência Afro-Asiática, aberta pelo então primeiro-ministro chinês Zhou Enlai. Em julho de 2026, foi Xangai que hospedou a Conferência Mundial de Inteligência Artificial, encontro que resultou na criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial. O discurso do atual primeiro-ministro chinês Xi Jinping nesta conferência ecoou o discurso de Zhou Enlai em 1955. A China não perde o fio da meada.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Por <strong>Maria Luiza Franco Busse</strong>*</p>
<p>Terminou a geopolítica em chuteiras e entrou em campo a geopolítica da governança compartilhada. Na cartografia do Ocidente, a Espanha venceu a Argentina por 1 a 0 na final da 23ª Copa do Mundo, disputada no estádio MetLife, na área metropolitana de Nova York, nos Estados Unidos. Por 39 dias, de 11 de junho a 19 deste mês de julho, times de 48 países se enfrentaram no jogo do perde-ganha. Enquanto isso, na China, em quatro dias do mesmo período, 29 países do Sul Global marcaram mais um tento com a criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial.</p>
<p>Na cidade de Xangai, líderes e representantes se concentraram na Conferência Mundial de Inteligência Artificial 2026, realizada de 17 a 20 de julho. Firmaram acordo para desenvolver tecnologias inclusivas de IA a partir de modelos de código aberto e de baixo custo, voltados para a industrialização, por meio de troca de conhecimento, pesquisa, formação e capacitação de pessoal. Apostaram no placar do ganha-ganha, que impulsiona o crescimento interno das nações e permite reduzir a desigualdade entre os cooperados, visando o bem comum.</p>
<p>No discurso de abertura do anfitrião do evento, presidente Xi Jinping, nada de novo e sempre cada vez mais atual. Com palavras e metáforas diferenciadas, a fala de Xi foi ressonância de sentido e significado do que disse, na Conferência Afro-Asiática de 1955, o então primeiro-ministro chinês Zhou Enlai. Realizada em Bandung, na Indonésia, essa conferência lançou as bases da formação do grupo de países Não-Alinhados a qualquer bloco e voltados para suas lutas de independência, soberania e desenvolvimento.</p>
<p>De 1955 a 2016, a distância de 71 anos aproximou os tempos de Xi e Zhou. Em Bandung, a China de Mao e Zhou afirmou o princípio da cooperação econômica e cultural entre os povos, manifesto nos dizeres do então primeiro-ministro:</p>
<p style="padding-left: 40px;">(&#8230;) “para nos ajudar a modificar nossa fisionomia atrasada pelo saque e pela opressão prolongada do colonialismo. A cooperação entre os países afro-asiáticos deve basear-se na igualdade e em benefício mútuo sem nenhuma condição de privilégio adicional. Os intercâmbios comerciais e a cooperação econômica entre nós devem ter como meta promover o desenvolvimento econômico independente de cada um de nossos países sem que nenhum se converta em simples produtor de matérias primas ou num simples mercado de produtos de consumo. Os intercâmbios culturais devem respeitar o desenvolvimento de nossas culturas nacionais sem menosprezar as vantagens e pontos fortes de cada um de nossos países para que possamos conhecer-nos e nos assimilarmos mutuamente”.</p>
<p style="padding-left: 40px;">(&#8230;) “Estamos firmemente convencidos de que com o desenvolvimento industrial de nossos países afro-asiáticos e com o aumento da qualidade de vida de nossos povos, e com a eliminação dos obstáculos estrangeiros artificialmente infiltrados nas relações comerciais internacionais, aumentarão gradualmente os intercâmbios comerciais e a cooperação econômica entre os diversos países afro-asiáticos e serão cada vez mais frequentes os intercâmbios culturais”.</p>
<p style="padding-left: 40px;">(&#8230;) “Conforme os princípios de respeito mútuo à soberania e integridade territorial, de não-agressão mútua, não-intervenção nos assuntos internos do outro, igualdade e benefício mútuo, os países com diferentes sistemas sociais podem coexistir pacificamente. Partindo do compromisso de cumprir estes princípios, não há motivo para não poder resolver as disputas internacionais mediante diálogo”.</p>
<p style="padding-left: 40px;">(&#8230;) “Ninguém poderá continuar subjugando-nos se estamos determinados a alcançar e salvaguardar a independência nacional; ninguém poderá separar-nos se estamos decididos a cooperar amistosamente.”.</p>
<p>Dos 29 países que conformaram a Conferência de Bandung, sete se mantiveram na Conferência Mundial de Inteligência Artificial iniciada em 2018. Além da China, permaneceram Camboja, Etiópia, Indonésia, Laos, Myanmar e Paquistão, e a eles se somaram África do Sul, Argélia, Belarus, Brasil, Camarões, Cazaquistão, Congo, Cuba, Lesoto, Malásia, Moçambique, Nicarágua, Omã, Quênia, Quirguistão, Rússia, Senegal, Sérvia, Tajiquistão, Uzbequistão, Venezuela e Zâmbia, totalizando 30 participantes.</p>
<p>Ficaram pelo caminho da rota Bandung-Xangai, Afeganistão, Arábia Saudita, Ceilão (atual Sri Lanka), Costa do Ouro (atual Gana), Egito, os então Estados do Vietnã, Filipinas, Iêmen, Índia, Irã, Iraque, Japão, Jordânia, Líbano, Libéria, Líbia, Nepal, a então República Democrática do Vietnã, Síria, Sudão, Tailândia e Turquia.</p>
<p>De volta aos gramados do futebol. Irã e Egito participaram e se enfrentam no mundial, mas deixaram a Copa por razões alheias à própria vontade. Irã foi eliminado ainda na primeira fase e Egito nas oitavas de final. Irã saiu invicto e Egito não partiu sem antes deixar cravado o lindo gol de cavadinha de Salah, capitão da equipe. De feio, a gatunagem de juiz que anulou gols e desconsiderou pênalti válido, com VAR e tudo. Mas Irã e Egito caíram de pé. Na despedida, o técnico do Egito, Hossam Hassam, foi para a galera com a bandeira da Palestina e gravou a fala para ser lembrada hoje e sempre:</p>
<blockquote><p>“Gostaria de agradecer ao povo irmão palestino pelo apoio e incentivo à seleção egípcia. Dedico esta vitória e nossa classificação a eles. Apesar do sofrimento do povo palestino, testemunhamos a alegria deles por nossa causa. Rogamos a Deus que lhes conceda a vitória e tenha misericórdia de seus mártires. Pedimos a Deus que nos abençoe com esta vitória para que possamos trazer alegria a eles, assim como alegria a todo o povo árabe”.</p></blockquote>
<p>Por sua vez, os jogadores do Irã foram embora deixando no vestiário uma carta sobre o que entendiam como jogar o jogo:</p>
<blockquote><p>“Nós viemos do Irã. Viemos de uma terra que há milhares de anos coloca a honra acima da vitória. Para nós, o futebol não é apenas uma competição por resultados. É um teste de caráter. Talvez seja possível conquistar pontos de muitas maneiras, mas o respeito não. Talvez uma equipe possa avançar de fase, mas somente por meio da justiça e da honra alguém pode permanecer de cabeça erguida diante da História. O fair play não é apenas uma linha nas regras do futebol; é a alma do jogo. Obrigado, Seattle, pela hospitalidade. E obrigado a todos os iranianos que deram seus corações, suas vozes e todo o seu ser pelo Irã. Irã, sempre de cabeça erguida”.</p></blockquote>
<p>Quem sabe Irã e Egito se animem e voltem a fazer parte da seleção que segue no jogo da cooperação compartilhada nesta Bandung do século 21. Essa seleção cuidará dos “jardins das civilizações”, como disse Xi Jinping na Conferência sobre IA que acaba de dar o pontapé inicial para a consolidação do interesse comum por uma terra sem amos, internacionalista, entre países soberanos e solidários.</p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p>* <strong>Maria Luiza Franco Busse é jornalista, historiadora e semióloga, especialista em China.</strong><br />
Veja também como a IA e demais tecnologias corrompem o Jornalismo: <a href="https://apjor.org.br/o-jornalismo-sob-influencia-das-big-techs/" target="_blank" rel="noopener">Como usar a IA para ser um jornalista pior?</a></p>
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		<item>
		<title>A transformação do ecossistema do Jornalismo</title>
		<link>https://apjor.org.br/a-transformacao-do-ecossistema-do-jornalismo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APJor]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 01:51:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 2023, quase metade dos 5.569 municípios brasileiros não tinha uma única fonte de informação local, o que significa que entre 27 e 28 milhões de pessoas (25% da população economicamente ativa, de 108 milhões) viviam nos chamados “desertos de notícia”. Os dados são do Atlas da Notícia daquele ano e foram apresentados pelo jornalista Carlos Castilho em palestra da série “O futuro do Jornalismo e o Jornalismo do futuro”, uma iniciativa da APJor.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #999999;"><strong>Crédito da imagem</strong>: Ondulações de areia formadas pelo vento em Southbourne, subúrbio costeiro no Sul da Inglaterra. Fotografia extraída de Waves of Sand and Snow (1914), de Vaughan Cornish. Public Domain Image Archive.</span></p>
<p>Por <strong>Moacir José</strong>*</p>
<p>Em 2023, quase metade dos 5.569 municípios brasileiros não possuía uma única fonte de informação local, o que significa que entre 27 e 28 milhões de pessoas (25% da população economicamente ativa, de 108 milhões) viviam nos chamados “desertos de notícia”. Os dados são do Atlas da Notícia daquele ano e foram apresentados pelo jornalista Carlos Castilho em palestra da série “O futuro do Jornalismo e o Jornalismo do futuro”, uma iniciativa da APJor.</p>
<p>Castilho é mestre em jornalismo local, doutor em Engenharia e Gestão do Conhecimento, professor de jornalismo online e pesquisador em comunicação comunitária. Para ele, esses desertos de notícias são sintoma de uma mudança profunda no ecossistema de comunicação, em decorrência da extinção de veículos locais, por falta de financiamento tradicional, a publicidade, hoje controlada pelas grandes plataformas digitais.</p>
<p>Por outro lado, a avalanche de informações na internet gerou uma profunda insegurança noticiosa. “Hoje em dia, não reagimos mais em função da lógica; as decisões são formadas a partir de percepções, muitas vezes distorcidas da realidade, através de uma sucessão estratégica de meias verdades. Não existe fonte segura”, diz. Para complicar, construiu-se o mito de que a informação é algo descartável e que tem de ser gratuita. “As pessoas não têm consciência de que ela é um bem social”, constata.<br />
Diante disso, ele sugere que o público não deve apenas desconfiar, mas encarar a notícia como “incompleta”, o que exige pesquisa e curadoria para preencher as lacunas informativas. Aí, entra o papel do jornalista, não mais como um ser “acima da média”, mas como um curador que estabelece uma relação de troca e identidade com o público.</p>
<p>Castilho descreve sua experiência à frente do projeto digital &#8220;Te Liga Canela&#8221;, que alcançou 5.000 seguidores na cidade gaúcha de 50.000 habitantes, mas que foi forçado a fechar após uma condenação judicial de R$ 16.000 por integrante da equipe. É outro fenômeno atual, o do <em>lawfare</em> (guerra jurídica) que tem sido usado “de forma assustadora” para neutralizar jornalistas por meio de processos em série.</p>
<p>Mesmo assim, ele acredita que a solução para a crise de sustentabilidade do jornalismo passa por um outro tipo de financiamento. Castilho propõe a criação de uma taxa municipal, aprovada pelas câmaras de vereadores dos municípios e gerenciada por um conselho tripartite composto por três membros da comunidade, três legisladores e três representantes da prefeitura. Essa taxa financiaria projetos jornalísticos e escolas de informação e curadoria, com base nas necessidades informativas reais daquela população.</p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p>*<strong>Moacir José</strong> é conselheiro da APJor.</p>
<p><strong>Para saber mais</strong>:<br />
• Íntegra da palestra de Carlos Castilho no canal da APJor no YouTube: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=oYjjeE3cD34" target="_blank" rel="noopener">Desertificação, um sintoma da crise no Jornalismo local</a><br />
• Artigo de Carlos Castilho: <a href="https://apjor.org.br/por-que-precisamos-de-uma-politica-publica-de-informacao/" target="_blank" rel="noopener">Por que precisamos de uma política pública de informação</a></p>
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		<item>
		<title>O Jornalismo sob influência das big techs</title>
		<link>https://apjor.org.br/o-jornalismo-sob-influencia-das-big-techs/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APJor]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 01:32:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O jornalista Marcelo Soares reflete sobre o atual modelo de negócios do Jornalismo, que já perdeu a publicidade como fonte de renda e é bastante limitado pelas receitas da filantropia. “As redações tornaram-se reféns de métricas e formatos que transformaram a notícia em uma commodity amorfa”, afirmou, denunciando “a mesmice” noticiosa induzida por Google e assemelhados. Profissional premiado por trabalhos com Jornalismo de dados, Soares é diretor-suplente da APJor, membro do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos e diretor fundador do estúdio de inteligência de dados Lagom Data.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #999999;"><strong>Crédito da imagem</strong>: Public Domain Image Archive, 1833, autor anônimo. Trata-se de um fenacistoscópio, brinquedo muito popular na Inglaterra do século XIX, considerado uma das primeiras formas de animação e um precursor do cinema moderno.</span></p>
<p>Por <strong>Leda Beck</strong>*</p>
<p>Especialista em Jornalismo de dados, Marcelo Soares abriu sua palestra com uma longa citação de <em>Cem anos de solidão</em>, de Gabriel Garcia Márquez. Escolheu justamente o trecho em que o cigano Melquíades exibe os seus ferrinhos imantados, para maravilhamento da população de Macondo e sobretudo de seu líder, José Arcadio Buendía. O cigano avisa, porém, que os ferrinhos imantados não servem para achar ouro.</p>
<p>A Inteligência Artificial (IA) é hoje um ferrinho imantado, deslumbrando particularmente os jornalistas, que estão entre as principais vítimas dela. “Como regra geral, porém, não se interessam pelo assunto (exceto sob a perspectiva de negócios) e só entrevistam a respeito quem tem algo a vender nessa área”, diz Soares, diretor-suplente da APJor, membro do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos e diretor-fundador do estúdio de inteligência de dados Lagom Data.</p>
<p>Só falta aos vendedores contemporâneos de ferrinhos imantados a honestidade do cigano Melquíades – não, a IA tampouco serve para achar ouro. Esse “ouro” do Jornalismo ainda possível só pode ser encontrado pela inteligência natural mesmo – ou biológica, como quer Miguel Nicolélis, que chama a IA de NINA (nem inteligência nem artificial).</p>
<h2>Autonomia capturada</h2>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignleft wp-image-5252 size-medium" src="https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Marcelo-Soares-2016-300x224.jpeg" alt="" width="300" height="224" srcset="https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Marcelo-Soares-2016-300x224.jpeg 300w, https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Marcelo-Soares-2016-768x573.jpeg 768w, https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Marcelo-Soares-2016.jpeg 960w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>Segundo Soares, a dependência financeira das plataformas digitais criou um ciclo de vulnerabilidade para os veículos de comunicação. Ele cita o exemplo do Google, que estabeleceu parcerias e programas de pagamento para que as empresas adotassem suas ferramentas, como o Google Discover, que em seus primeiros meses deu uma fatia razoável de audiência para veículos de todos os portes. Mas, diz Soares, “a plataforma frequentemente fecha a torneira, alterando algoritmos e reduzindo drasticamente o tráfego, o que inviabiliza negócios que se tornaram dependentes”.</p>
<p>Ele acredita que o jornalismo atravessa um período de reconfiguração profunda, onde a autonomia editorial foi, em grande parte, capturada por algoritmos e modelos de negócio ditados por gigantes tecnológicos. E ironiza: “O cenário é de transição de um jornalismo que busca a verdade para o de hegemonia das ‘máquinas de encher linguística’, onde redações tornam-se reféns de métricas e formatos que transformaram a notícia em uma <em>commodity</em> amorfa”. Nesse quadro, “tudo vai depender cada vez mais do apoio dos leitores e nós, jornalistas, vamos depender cada vez mais de nós mesmos”.</p>
<p>Marcelo Soares chama os programas de IA de “geradores de lero-lero”. Ele está longe de ser um negacionista da tecnologia. “Esses programas são ótimos pra trabalhar com texto, para sugerir títulos e legendas, para traduzir textos factuais”, diz, observando que são péssimos para apurar as informações: “Se perguntar ao Gemini quem é o meu pai, ele vai dizer que é o Jô Soares, com quem só tenho em comum o sobrenome, o sobrepeso e a cor do cabelo”, disse. Nas redações, ponderou, quem mais acredita que o ChatGPT faz milagres são, numa ponta, os profissionais mais verdes e, na outra, os patrões.</p>
<p>Superados os modelos da publicidade e da filantropia para sustentar o bom jornalismo, a única saída, afirmou, é reconectar o jornalismo ao interesse real das pessoas. Ele cita o exemplo do jornal Plural, de Curitiba (PR), que faz uma ótima cobertura de temas que interessam aos leitores, como debates na eleição municipal, eleição de conselhos tutelares, projetos com fundações etc. Também cita o exemplo do jornal Varadouro, que era impresso no Acre na década de 1980, mas “morreu e renasceu” digital recentemente, através de um grupo de Whatsapp que reúne fontes, leitores e comunidade indígena. “As matérias chegam aos leitores logo que ficam prontas”, relata Soares. “Isso mostra que um outro jornalismo é possível.”</p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p><strong>* Leda Beck é ex-presidente da APJor. Colaborou Moacir José, conselheiro da APJor.</strong></p>
<p><strong>Para saber mais:</strong><br />
• Íntegra da palestra de Marcelo Soares no canal da APJor no YouTube: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=tjOEkZXlBJo" target="_blank" rel="noopener">O Jornalismo sob influência das big techs.</a><br />
• Sobre a recente Conferência de IA na China: <a href="https://apjor.org.br/bandung-21-a-copa-a-ia-e-a-china/" target="_blank" rel="noopener">Bandung 21</a>.</p>
<p>O post <a href="https://apjor.org.br/o-jornalismo-sob-influencia-das-big-techs/">O Jornalismo sob influência das big techs</a> apareceu primeiro em <a href="https://apjor.org.br">Associação Profissão Jornalista</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Combatendo os desertos de notícias</title>
		<link>https://apjor.org.br/combatendo-os-desertos-de-noticias/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APJor]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Aug 2026 02:48:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Palestra de Fernanda Lara mostrou que jornalismo local e colaborativo pode ser alternativa de sustentabilidade financeira para jornalistas que não querem depender de grandes mídias e de mecanismos comandados por big techs para sobreviver. </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Ilustração: </strong>Do site da <a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/desertos-de-noticias-brasileiros-diminuiram-no-ultimo-ano">Revista Arco</a>, da UFSM</p>
<p>Por <strong>Moacir José*</strong></p>
<p>Uma proposta que adapta o Jornalismo às novas tecnologias da internet, que aposta num mercado regional como saída para os profissionais da área e que amplia seu universo de atuação para um ecossistema digital colaborativo, evitando os prejuízos sofridos por veículos onde o jornalista tem de fazer tudo sozinho: essa é a diretriz do projeto Mais Pelo Jornalismo (MPJ), criado e conduzido por Fernanda Lara.</p>
<p>Ela também fundou a plataforma I’MAX, que existe para revitalizar e dar sustentabilidade financeira ao jornalismo independente no Brasil, oferecendo uma alternativa ao modelo de negócio das grandes mídias. Lara detalhou o projeto durante a palestra “A experiência de resgatar o jornalismo local”, transmitida em maio pelo canal da APJor no Youtube, dentro da série “O futuro do Jornalismo e o Jornalismo do futuro”.</p>
<p>A iniciativa busca reverter o cenário de ampliação do que se convencionou chamar de “deserto de notícias” ‒ localidades onde não existem veículos jornalísticos, impressos ou digitais. Segundo levantamento da I&#8217;MAX, em 11 anos (de 2014 a 2024), o número de mídias digitais que fecharam (13.147) foi 22% superior ao das que foram abertas (10.795). A pesquisa constatou que muitos dos veículos que sucumbiram tiveram uma existência efêmera, desaparecendo antes mesmo de serem catalogados no ano. Ao mesmo tempo, deixaram de existir veículos centenários, que passaram de pai para filho e serviram de referência para muitas pequenas cidades. “A tradição de consumir notícias locais se perdeu junto com eles”, disse Lara.</p>
<figure id="attachment_5228" aria-describedby="caption-attachment-5228" style="width: 1280px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-5228 size-full" src="https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Mara-Ribeiro-Fernanda-Lara-Darlene-Menconi.jpeg" alt="" width="1280" height="960" srcset="https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Mara-Ribeiro-Fernanda-Lara-Darlene-Menconi.jpeg 1280w, https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Mara-Ribeiro-Fernanda-Lara-Darlene-Menconi-300x225.jpeg 300w, https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Mara-Ribeiro-Fernanda-Lara-Darlene-Menconi-1024x768.jpeg 1024w, https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Mara-Ribeiro-Fernanda-Lara-Darlene-Menconi-768x576.jpeg 768w" sizes="(max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /><figcaption id="caption-attachment-5228" class="wp-caption-text">A vice da APJor, Mara Ribeiro, Fernanda Lara e a presidente da APJor, Darlene Menconi.</figcaption></figure>
<p>A estratégia para reverter esse quadro está ancorada em três pilares: suporte tecnológico, consultoria editorial e uma nova visão de negócios. Sem deixar de lado esse segmento regional, que ela acredita ser “o futuro do jornalismo” e onde, afirmou, “há muito dinheiro e muitas oportunidades sobre a mesa”. Para ela, o Jornalismo regional pode se reconectar com a comunidade através da territorialidade e de uma prática focada em personagens e identidades locais. “As pessoas são sedentas de serem enxergadas pelo jornalismo”, diz ela. Dos 1.000 veículos digitais de comunicação aos quais a I’MAX pretende dar suporte (30 mídias por Estado da Federação), Lara calcula que 80% serão de jornalismo regional; os 20% restantes ficariam com projetos segmentados ou setorizados. Mas ela ressalva: “Não queremos ‘jornalismo de escândalo’ para aumentar audiência em redes sociais”.</p>
<p>O suporte de infraestrutura tecnológica da I&#8217;MAX (servidores e design) é gratuito, o que já ajuda muito. Segundo Lara, gasta-se, em média, R$ 15.000 por ano para manter um site no ar. É um valor relativamente elevado, se se considerar que, nas pequenas cidades, a realidade é a existência de “redações de um jornalista só”, com profissionais acumulando funções de apuração, distribuição e vendas, o que os sobrecarrega e os isola, com prejuízo para a qualidade do produto oferecido. Por isso é que o MPJ exige, como pré-requisitos, um projeto editorial claro e um comportamento ético, um espírito colaborativo, que se traduz por troca de experiências com outros membros da comunidade, participação em reportagens em grupo e/ou apoio a colegas em decisões editoriais difíceis.</p>
<p>A I&#8217;MAX também faz experiências para desenvolver uma tecnologia que proteja o conteúdo editorial produzido pelos pequenos veículos regionais, para que não sejam indevidamente apropriados por grandes empresas de mídia ou pelas<em> big techs</em>. Trata-se da “tokenização” de notícias, ou seja, um mecanismo que identificará a autoria e a originalidade de uma reportagem. “Isso combaterá a concorrência desleal, que hoje está impune”, aposta a proprietária da plataforma.</p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p><strong>* Moacir José</strong> é conselheiro da APJor</p>
<p><strong>Para saber mais:</strong><br />
• Veja a <a href="https://www.youtube.com/watch?v=P3mZuQo4-LU" target="_blank" rel="noopener">íntegra da palestra de Fernanda Lara</a> no canal da APJor no YouTube<br />
• <a href="https://mpj.site/" target="_blank" rel="noopener">Projeto Mais Pelo Jornalismo (MPJ)</a><br />
• <a href="https://www.i-maxpr.com/" target="_blank" rel="noopener">Plataforma I’MAX</a></p>
<p>O post <a href="https://apjor.org.br/combatendo-os-desertos-de-noticias/">Combatendo os desertos de notícias</a> apareceu primeiro em <a href="https://apjor.org.br">Associação Profissão Jornalista</a>.</p>
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		<title>“Jornalismo: modelos de financiamento, riscos e oportunidades”</title>
		<link>https://apjor.org.br/jornalismo-modelos-de-financiamento-riscos-e-oportunidades/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APJor]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jul 2026 21:49:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apjor.org.br/?p=5202</guid>

					<description><![CDATA[<p>Dal Marcondes abordou a importância de um jornalismo independente financeiramente, de uma “transparência algorítmica” e da adoção de quatro caminhos que podem garantir a sobrevivência da produção jornalística de qualidade.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #999999;"><strong>Crédito da ilustração:</strong> Public Domain Image Archive. Autor: Paul Krafft, 1907. Legenda da ilustração: “MONTANHA DE DINHEIRO – É tempo de dizer basta, quando a renda de um único homem é tão grande que ele não consegue lidar com ela em dinheiro vivo, enquanto a renda de seus trabalhadores não é suficiente para mantê-los decentemente vivos”.</span></p>
<p>Por <strong>Moacir José*</strong></p>
<p>“O jornalismo tem de pagar boleto; é um negócio que precisa ser financiado, mas não a qualquer custo. Não se pode vilipendiar a profissão.” Essa foi uma das frases de impacto proferidas por Dal Marcondes, durante sua palestra na série “O futuro do Jornalismo e o Jornalismo do futuro”, concebida pela APJor.</p>
<p>Diretor-proprietário do site Envolverde, que cobre meio ambiente há 30 anos, e conselheiro da APJor, Marcondes reforça que a independência do jornalismo é indissociável da sua sustentabilidade econômica, algo que sofreu profunda transformação nos últimos anos com a concentração de anúncios nas mãos de poucas plataformas digitais. Segundo ele, Facebook, Instagram, TikTok e Google se apropriaram de 90% da receita publicitária das publicações do planeta, deixando para a produção do jornalismo menos de 7% dos recursos originados por esse segmento, que, historicamente, dividiu com o setor de assinaturas a sustentação econômica do setor.</p>
<figure id="attachment_5205" aria-describedby="caption-attachment-5205" style="width: 1600px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-5205 size-full" src="https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Darlene-Menconi-Dal-Marcondes.jpg" alt="" width="1600" height="482" srcset="https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Darlene-Menconi-Dal-Marcondes.jpg 1600w, https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Darlene-Menconi-Dal-Marcondes-300x90.jpg 300w, https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Darlene-Menconi-Dal-Marcondes-1024x308.jpg 1024w, https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Darlene-Menconi-Dal-Marcondes-768x231.jpg 768w, https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Darlene-Menconi-Dal-Marcondes-1536x463.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1600px) 100vw, 1600px" /><figcaption id="caption-attachment-5205" class="wp-caption-text">Darlene Menconi, presidente da APJor, e Dal Marcondes</figcaption></figure>
<p>Isso só foi possível graças à inteligência artificial e seus algoritmos, que permitiram oferecer aos anunciantes uma segmentação “absurda”, que a mídia convencional jamais alcançou. Assim, grandes anunciantes e agências abandonaram o financiamento de veículos jornalísticos, deixando o jornalismo regional e especializado subfinanciado.</p>
<p>Para ele, a escassez de um jornalismo financiado e independente empurra a sociedade para um caminho de desinformação, o que é muito perigoso. “O que se chama de <em>fake news</em> nada mais é do que mentiras; é um contrassenso chamá-las de notícia. E isso faz com que pessoas passem a defender o indefensável. O espaço midiático fica poluído e essas notícias mais confundem do que ajudam as pessoas a compreender a realidade.”</p>
<p>O diretor da Envolverde diz que os profissionais da área precisam aprender gestão e empreendedorismo ‒ uma vez que as faculdades ainda formam jornalistas apenas para serem empregados ‒ e propõe quatro ações para viabilizar o setor:</p>
<p>1. Criação de fundos de fomento ‒ com regras públicas e transparentes ‒, para financiar projetos e startups, permitindo estabilidade e reportagens de relevância.<br />
2. Uso de emendas parlamentares para financiar projetos jornalísticos de qualidade e interesse público.<br />
3. Combinar publicidade segmentada, assinaturas, eventos pagos, filantropia e editais públicos e privados.<br />
4. Lutar por políticas que reconheçam o jornalismo como bem público e exijam transparência algorítmica.</p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p>* <strong>Moacir José</strong> é conselheiro da APJor</p>
<p><strong>Para saber mais:</strong><br />
• Íntegra da palestra de Dal Marcondes no canal da APJor no YouTube: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=jbC9YXPbA1g" target="_blank" rel="noopener">Jornalismo: modelos de financiamento, riscos e oportunidades</a><br />
• <a href="https://apjor.org.br/como-financiar-o-jornalismo-nativo-digital-conheca-alguns-caminhos/" target="_blank" rel="noopener">Como financiar o jornalismo nativo digital? Conheça alguns caminhos.</a></p>
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		<title>“O mundo já virou dados – como extrair o valor deles?”</title>
		<link>https://apjor.org.br/o-mundo-ja-virou-dados-como-extrair-o-valor-deles/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leda Beck]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jul 2026 03:14:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apjor.org.br/?p=5181</guid>

					<description><![CDATA[<p>Os jornalistas devem se adaptar a essa nova realidade, avisa Luciana Duarte, na terceira palestra da série O Jornalismo do futuro e o futuro do Jornalismo, organizada pela APJor. Devemos dominar o poder de síntese e entender o público-alvo para um conteúdo mais eficaz.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Crédito da ilustração:</strong> Public Domain Image Archive. “O dono de jornal de fin de siècle”, de Frederick Burr Opper, 1894. Da esq. para a dir., os cartazes dizem: notícias fraudulentas, mentiras, sensação barata.</p>
<p>Por <strong>Mara Ribeiro</strong>*</p>
<p>Vivemos hoje num oceano de dados, onde a informação se tornou o “petróleo” do Jornalismo – mas não sabemos como extrair valor desses dados. Para discorrer sobre esse cenário, a APJor recebeu a jornalista e publicitária Luciana Duarte, experiente em comunicação e marketing, com MBA em Planejamento de Marketing Estratégico. Após 17 anos como editora de publicações segmentadas, ela cofundou a X500, uma aceleradora de negócios de marketing e vendas. Especializada em Bussiness intelligence (BI) com foco em monetização de negócios, nos últimos anos tem atuado também nas áreas de integração de dados, inteligência artificial, realidade aumentada, comunicação em rede, monetização de canais jornalísticos e mídia tradicional versus redes sociais, entre outros temas complexos.</p>
<p>“O jornalismo tradicional perdeu o controle sobre a informação e está competindo com influenciadores digitais por atenção, sendo forçado a produzir conteúdo em formato de pílulas de um minuto e trinta segundos para competir com as plataformas de redes sociais”, disse Duarte na terceira palestra da série O Jornalismo do futuro e o futuro do Jornalismo, organizada pela APJor.</p>
<p>Os jornalistas devem se adaptar a essa nova realidade, optando por dominar o poder de síntese e entender o público-alvo para um conteúdo mais eficaz, explica Luciana. Quem domina bem essa seara, segundo ela, é Ricardo Amorim, que é bem-sucedido na era digital, com seu próprio canal no Linkedin. O que demonstra uma tendência de os comunicadores serem informativos e opinativos para conquistar audiência.</p>
<p><strong>Transformação do Jornalismo</strong></p>
<p>Duarte discutiu a transformação do jornalismo e da comunicação digital nos últimos dez anos, passando por internet, tráfego de dados e interferências de algoritmos e de influenciadores digitais. Destacou como os <em>influencers</em> se tornaram estrategistas de comunicação que influenciam primeiro para depois comunicar/vender. Ela questionou se as próximas gerações poderão ser influenciadas no modelo atual – elas parecem preferir comunicação não verbal e cada vez mais abreviada, como ocorre em plataformas como TikTok e Snapchat. Os participantes concordaram que o problema não é a existência de influenciadores, mas quando opiniões e interesses comerciais passam a valer mais do que informação de qualidade, enfatizando a necessidade de o jornalismo voltar a focar em informar com profundidade e ética.</p>
<p><strong>Revelar a nova era</strong></p>
<p>A palestra discutiu vários temas, como o impacto dos influenciadores digitais no Jornalismo tradicional. “Os meios de comunicação se comprometeram com a competição por <em>likes</em> e cliques em vez de focar na qualidade do conteúdo”, disse ela. Argumentou, ainda, que os empreendedores de mídia precisam parar de vender dados e focar em informação de qualidade, se recuperando do deslumbramento com a internet. Duarte citou plataformas como Taboola e as mudanças nos algoritmos do Facebook como origem da transformação da informação em algo incontrolável, afetando negativamente tanto os jornalistas quanto a profissão em geral. Na sua opinião, as empresas jornalísticas poderiam explorar melhor os dados através de pesquisas de mercado mais aprofundadas e análises estratégicas, não apenas confiando nos números básicos do Google Analytics.</p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p><em>* Mara Ribeiro é vice-presidente da APJor.</em></p>
<p><strong>Saiba mais:</strong><br />
• Íntegra da palestra de Luciana Duarte: <a href="https://youtu.be/TXgUJQuXbsc?si=73WLGJA0pR5rUxa6" target="_blank" rel="noopener">https://youtu.be/TXgUJQuXbsc?si=73WLGJA0pR5rUxa6</a><br />
• Reportagem da revista Exame sobre a carreira de Luciana Duarte como estrategista: <a href="https://exame.com/negocios/ela-criou-uma-empresa-que-ja-gerou-r-340-milhoes-em-faturamento-para-clientes/" target="_blank" rel="noopener">https://exame.com/negocios/ela-criou-uma-empresa-que-ja-gerou-r-340-milhoes-em-faturamento-para-clientes/</a></p>
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		<title>“O Jornalismo possível: desafios tecnológicos e entraves culturais no atual panorama”</title>
		<link>https://apjor.org.br/o-jornalismo-possivel-desafios-tecnologicos-e-entraves-culturais-no-atual-panorama/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APJor]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Jul 2026 04:50:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apjor.org.br/?p=5152</guid>

					<description><![CDATA[<p>Com quase três horas de duração, essa palestra de Luciano Martins Costa abordou o papel da imprensa corporativa no Brasil como “reserva moral do fascismo”, o uso de novas tecnologias no Jornalismo, a cobertura do crime organizado e até o caso Master. </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Por <strong>Darlene Menconi*</strong></p>
<p>A Unesco considera o Jornalismo um bem público, pois tem o potencial de facilitar o processo civilizatório. Mas será que a imprensa cumpre esse papel? Pelo menos por aqui, parece que não: a credibilidade da imprensa brasileira caiu de 62% em 2015 para 42% em 2025. Para o jornalista Luciano Martins Costa, que inaugurou a série de palestras promovida pela APJor para discutir os rumos do Jornalismo, a mídia hegemônica, com seu viés neoliberal, defende privatizações e redução do Estado sem considerar os impactos sociais. “São a reserva moral do fascismo, essa insanidade tornada pública”, disse Costa. Em sua avaliação, veículos populares têm mais credibilidade por estarem próximos da realidade do público.</p>
<p>Um dos criadores do projeto Estadão Multimídia e do Observatório da Imprensa, em novembro de 2025, na Livraria Tapera Taperá, no centro de São Paulo, ele fez a palestra inaugural do ciclo de debates Jornalismo do Futuro e o Futuro do Jornalismo, uma iniciativa da APJor para discutir os rumos da profissão que exercemos. Costa iniciou a carreira de jornalista aos 24 anos como redator das enciclopédias da Editora Abril, convivendo com intelectuais protegidos pela editora durante a ditadura militar, como Maria Adelaide Amaral, Eduardo Galeano e Eduardo Alves da Costa.</p>
<p>Escreveu para a imprensa corporativa brasileira, criou peças de teatro, apresentou programas em rádios e emissoras de TV, deu aulas e palestras, e publicou livros como <em>O mal-estar na globalização</em>, premiado em 2005 como melhor ensaio pela União Brasileira de Escritores; <em>O Diabo no poder</em>, sobre as eleições de 2018; e <em>Escrever com criatividade</em>, metodologia que desenvolveu na juventude, como voluntário na Casa de Detenção de São Paulo. Também publicou os romances <em>As razões do lobo</em> e A intimidade da orquídea, entre outros. Hoje, ele se define como &#8220;avô profissional&#8221; e pesquisador.</p>
<p><strong>Novas tecnologias e crime organizado</strong></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-5169 size-full" src="https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Luciano-Martins-Costa-002.jpeg" alt="" width="1600" height="1141" srcset="https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Luciano-Martins-Costa-002.jpeg 1600w, https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Luciano-Martins-Costa-002-300x214.jpeg 300w, https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Luciano-Martins-Costa-002-1024x730.jpeg 1024w, https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Luciano-Martins-Costa-002-768x548.jpeg 768w, https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Luciano-Martins-Costa-002-1536x1095.jpeg 1536w" sizes="(max-width: 1600px) 100vw, 1600px" /></p>
<p>Para Costa, a inteligência artificial pode ser uma ferramenta valiosa para resgatar fatos e investigar idiossincrasias, desde que usada com profundidade e senso crítico. Como exemplo, o jornalista citou a chacina do Jacarezinho, em 2021, na qual a IA revelou informações sobre um policial morto na operação e um contrabando de fuzis para milícias ligadas a grupos políticos. “Dados que foram ignorados pela grande mídia, que focou apenas na narrativa dominante, sobre traficantes”, disse ele. Além disso, “os jornalistas utilizam IA para criar um suposto ‘humor do mercado’, alinhado aos interesses editoriais”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p><strong>“Na imprensa, o foco recai sobre os favelados, enquanto a maior parte da receita do crime vem de associações com o poder público e empresas de serviço. No Brasil, ter passagem pela polícia muitas vezes depende apenas da cor da pele ou da vestimenta.”</strong></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>Acrescentou que a imprensa costuma ignorar relações entre forças policiais e crime organizado, frequentemente criminalizando a periferia, e defendeu um jornalismo equilibrado, com investimento em tecnologia e pessoas, voltado para a comunidade e com funções educativas, sem meias-verdades e sem manipulação de informações econômicas. Tratado como protagonista político, disse, o mercado é parte de uma rede frequentemente conectada ao crime organizado, como no caso do Banco Master.</p>
<p><strong>Lições do Master</strong></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-5168 size-full" src="https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2026/07/O-Futuro-do-Jornalismo-e-o-Jornalismo-do-Futuro-pessoas.jpg" alt="" width="1200" height="782" srcset="https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2026/07/O-Futuro-do-Jornalismo-e-o-Jornalismo-do-Futuro-pessoas.jpg 1200w, https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2026/07/O-Futuro-do-Jornalismo-e-o-Jornalismo-do-Futuro-pessoas-300x196.jpg 300w, https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2026/07/O-Futuro-do-Jornalismo-e-o-Jornalismo-do-Futuro-pessoas-1024x667.jpg 1024w, https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2026/07/O-Futuro-do-Jornalismo-e-o-Jornalismo-do-Futuro-pessoas-768x500.jpg 768w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /></p>
<p>Observou que, nesse caso, há lições a extrair para a imprensa. A primeira grande lição é que “a imprensa não quer saber” de investigar o Master, porque essa investigação revelaria que o chamado “mercado” funciona, muitas vezes, como uma rede criminosa. O caso “evidencia a complexidade das atuais estruturas financeiras, nas quais bancos e fintechs se multiplicam em milhares de ramificações e microbancos de um homem só”. O uso de <em>coaches</em> financeiros online, afirmou, seria uma estratégia para captar investimentos e fragmentar responsabilidades contratuais. O Banco Central não tem mecanismos para delimitar ou monitorar o alcance dessa rede de agentes financeiros.</p>
<p>Outra conclusão: as grandes operações de privatização, que chamam muita atenção, estão sendo substituídas por redes de revendedores e influenciadores, permitindo ao mercado acessar recursos públicos de forma mais discreta. Para Costa, o jornalismo deve ser um exercício constante de busca pela verdade e enfrentamento das estruturas que impedem o desenvolvimento social do país. E quem desfruta de privilégios – como ser alfabetizado, ter acesso a livros, estudar idiomas e viajar – tem a responsabilidade ética de agir em prol dos outros. Destacou quatro pontos para um Jornalismo possível:</p>
<ul>
<li>O Jornalismo do futuro deve se distanciar da frente ideológica, evitar o debate fragmentado, questionar o sistema como um todo e suas contradições.</li>
<li>Trabalhar a educação política, reafirmando valores fundamentais da sociedade.</li>
<li>Praticar o Jornalismo afirmativo em favor de um processo civilizatório.</li>
<li>Compreender o espírito das mudanças tecnológicas e usá-las em favor do progresso humano.</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p><em>* <strong>Darlene Menconi</strong> é presidente da APJor.<br />
Link para a íntegra da palestra de Luciano Costa: <a href="https://www.youtube.com/live/JGcsshFjULk?si=AaqCIuDoWKTyLFMi" target="_blank" rel="noopener">https://www.youtube.com/live/JGcsshFjULk?si=AaqCIuDoWKTyLFMi</a></em></p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>O futuro do Jornalismo é verde (por inteiro)</title>
		<link>https://apjor.org.br/o-futuro-do-jornalismo-e-verde-por-inteiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APJor]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Apr 2026 05:48:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apjor.org.br/?p=5136</guid>

					<description><![CDATA[<p>Chega de jornalistas “ambientais”. A questão do meio ambiente precisa ser transversal: toda editoria deve abordá-la.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Por <strong>Dal Marcondes</strong>*</p>
<p>Fala-se muito em economia verde e desenvolvimento sustentável, mas a verdade é que o <strong>verde deve ser a cor do jornalismo do Século 21</strong>. Não me refiro a um jornalismo adjetivado de &#8220;ambiental&#8221;, praticado apenas por especialistas, mas sim à presença do meio ambiente em toda e qualquer pauta.</p>
<p>Os termos &#8220;jornalismo ambiental&#8221; e &#8220;desenvolvimento sustentável&#8221; tornaram-se profundamente anacrônicos. Afinal, <strong>não há desenvolvimento se ele não for sustentável</strong>, assim como é precário o jornalismo que não inclui em suas variáveis a transversalidade ambiental. O jornalista, em sua essência generalista, muitas vezes adjetiva seu ofício para se destacar, mas a prática exclusiva de uma vertente ambiental deve estar fadada à extinção.</p>
<p><strong>Compromisso com o amanhã</strong></p>
<p>A mídia e os jornalistas têm um papel fundamental na construção de um futuro pautado pela sustentabilidade. Gro Brundtland, ex-primeira-ministra da Noruega, definiu o conceito de forma clara:</p>
<blockquote><p>&#8220;Ser sustentável é suprir as necessidades das atuais gerações sem comprometer a capacidade das gerações futuras em suprir suas próprias necessidades.&#8221;</p></blockquote>
<p>Isso significa, de forma direta, que a humanidade precisa garantir que filhos, netos e bisnetos tenham acesso a água potável, alimentos e aos benefícios de uma civilização tecnológica. Para isso, os recursos naturais devem ser preservados hoje.</p>
<p><strong>O dilema da sociedade de consumo</strong></p>
<p>O jornalismo ambiental surgiu para alertar que o modelo de desenvolvimento do Século 20 é insustentável a longo prazo. No entanto, a mídia muitas vezes &#8220;faz-se de surda&#8221;. O motivo é estrutural: a publicidade é o motor da mídia, e a publicidade é a ferramenta mestre da <strong>sociedade de consumo</strong>.</p>
<p>Há um receio implícito: uma sociedade menos voraz e consumista poderia significar uma sociedade com menos publicidade e, consequentemente, menos receita para os veículos tradicionais.</p>
<p><strong>Da resistência à vanguarda</strong></p>
<p>Na década de 1990, impulsionadas pela <strong>Rio-92</strong>, surgiram mídias especializadas que atuaram como focos de resistência — de forma semelhante à imprensa alternativa durante a ditadura. Hoje, sites e revistas ambientais mantêm grande audiência entre formadores de opinião, mas o desafio agora é outro: <strong>romper a bolha</strong>.</p>
<p>O jornalista sempre foi vanguarda nas conquistas sociais, mas a fronteira ambiental é mais &#8220;espinhosa&#8221;. Ela exige:</p>
<p><strong>Conhecimento técnico</strong>: Compreensão de biologia, física e geografia.</p>
<p><strong>Visão sistêmica</strong>: Entender que a sustentabilidade não é um nicho, mas uma variável presente em todas as decisões humanas.</p>
<p><strong>Análise de impacto</strong>: Perceber que tudo o que consumimos gera consequências antes e depois do descarte.</p>
<p><strong>A estratégia brasileira</strong></p>
<p>No Brasil, essa mudança de olhar é estratégica. Nossa <strong>biodiversidade e recursos naturais são as commodities do futuro</strong>. Compreender essa realidade não é apenas uma questão ética, é uma necessidade econômica e social.</p>
<p>A vanguarda dessa transformação será formada por jornalistas capazes de abandonar o olhar superficial e atuar de forma objetiva na disseminação de conhecimento. O jornalismo do futuro não pode apenas observar o mundo; ele deve compreender as interfaces que mantêm a vida — e a notícia — pulsando.</p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p>* <strong>Dal Marcondes</strong> é jornalista e diretor da Envolverde, com passagens por redações como Agência Estado, Gazeta Mercantil, IstoÉ e Exame. Desde 1998, cobre a questão do meio ambiente e da responsabilidade socioambiental.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>IA vira ferramenta para disseminar desinformação</title>
		<link>https://apjor.org.br/ia-vira-ferramenta-para-disseminar-desinformacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APJor]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Mar 2026 04:41:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apjor.org.br/?p=5128</guid>

					<description><![CDATA[<p>De 2024 para 2025, as notícias falsas criadas por IA triplicaram, como constatou uma nova pesquisa da Agência Lupa. Olho nas plataformas da Meta, as campeãs na difusão das mentiras, cujo número vai crescer ainda mais em 2026.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Por <strong>Darlene Menconi*</strong></p>
<p>Pesquisa inédita do Observatório Lupa, ligado à agência de checagem Lupa, revela que o número de notícias falsas criadas por Inteligência Artificial (IA) triplicou no período de um ano. Os dados do <span style="text-decoration: underline;">1º Panorama da Desinformação no Brasil</span> indicam que os conteúdos falsos criados por IA generativa saltaram de 39 casos em 2024 para 159, em 2025 – crescimento de 308%.</p>
<p>O levantamento mapeia tendências, alvos e as principais táticas de desinformação que circulam no ambiente digital brasileiro. Se em 2024 a maior parte dos golpes digitais foi utilizada para fraudes, em 2025 as fábricas de mentiras se tornaram uma arma política.</p>
<p>Antes de tudo, é preciso estabelecer uma distinção conceitual entre os termos abrigados sob o guarda-chuva das chamadas <em>fake news</em>.</p>
<p>O que diferencia informação falsa, ou <em>misinformation</em>, de desinformação, ou <em>disinformation</em>, é a intenção maliciosa. A informação falsa é a disseminação de conteúdo incorreto, impreciso ou falso sem intenção de causar dano – é aquele vídeo ou mensagem supostamente inocentes, sobre os quais não se tem certeza se são mentira ou verdade.</p>
<p>Enquanto a desinformação é a fabricação e o compartilhamento deliberado de conteúdo falso ou manipulado para enganar, prejudicar ou manipular a opinião pública. Já <em>mal-information</em> utiliza dados verdadeiros fora de contexto ou empregados de má fé para provocar prejuízo a pessoas, organizações ou países.</p>
<p>De acordo com o <a href="https://reports.weforum.org/docs/WEF_Global_Risks_Report_2026.pdf" target="_blank" rel="noopener">Relatório de Riscos Globais 2026</a>, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, a desinformação está entre as cinco principais ameaças à humanidade no curto e médio prazo. Os danos resultantes dessa avalanche de falsidade abrangem desde manifestações violentas e crimes de ódio até atos de terrorismo. E representam uma ameaça às democracias, sobretudo em ano eleitoral, como 2026.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>A desinformação segue o ritmo dos grandes acontecimentos</strong></p>
<p>Se em 2024 a IA foi usada majoritariamente para golpes digitais (36% do total), em 2025 houve uma mudança de perfil. De acordo com o Panorama da Desinformação no Brasil, mais de três quartos dos conteúdos gerados por IA envolviam imagem ou voz de figuras públicas, principalmente políticos, revelando que a tecnologia tem sido utilizada para fabricar mentiras com alto potencial de dano político.</p>
<p>Os pesquisadores constataram que os momentos de maior tensão pública, como eleições, eventos climáticos ou decisões políticas, funcionam como gatilhos para conteúdos virais falsos, tanto em 2024 quanto em 2025.</p>
<p>O Panorama da Desinformação no Brasil avaliou 617 conteúdos verificados pela Agência Lupa em 2025 e 839 publicações de 2024.</p>
<p>O maior volume de checagem em 2025 se concentrou em janeiro e novembro. Novembro por conta da realização da COP30, a conferência do clima realizada em Belém, e a decretação da prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro. Janeiro apareceu na liderança impulsionado pelos falsos boatos sobre a taxação do Pix.</p>
<p>Em 2024, os principais picos ocorreram entre julho e outubro, por conta do período eleitoral, e entre o fim de abril e o mês de maio, quando ocorreram as enchentes no Rio Grande do Sul e surgiram boatos, informações distorcidas e conteúdos enganosos sobre a tragédia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Proliferação em rede e em múltiplas plataformas</strong></p>
<p>Uma constatação importante é que a desinformação circula em rede. Ou seja, os dados raramente ficam restritos a uma única plataforma, ampliando o alcance e tornando ainda mais desafiador seu enfrentamento.</p>
<p>O WhatsApp, da Meta, permanece a principal via de desinformação, mas perdeu a hegemonia. Sua participação caiu de quase 90% em 2024 para 46% em 2025, indicando uma maior dispersão. Apesar disso, houve a circulação cruzada entre Facebook e Instagram, igualmente plataformas da Meta, de Mark Zuckerberg.</p>
<p>O Kwai entrou pela primeira vez no ranking das 10 principais vias de transmissão de desinformação, enquanto o X (antigo Twitter) perdeu espaço.</p>
<p>O vídeo é a principal isca emocional, quase sempre acompanhado de um texto curto que legitima a narrativa falsa – ainda que contenha erros grosseiros.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Recomendações estratégicas do Observatório Lupa</strong></p>
<p>Os autores do relatório trazem recomendações úteis para quem pretende se proteger da desinformação ao longo de 2026:</p>
<p><strong>Para a Mídia:</strong> Adotar protocolos editoriais para eventos previsíveis, como eleições, julgamentos e grandes crises. E explicar ao público como os vídeos manipulados operam emocionalmente e como podem ser persuasivos. Além de evitar reproduzir boatos virais.</p>
<p><strong>Para os Checadores:</strong> Preparar respostas para períodos com eventos de grande impacto e repercussão, e antecipar narrativas enganosas antes que ganhem escala.</p>
<p><strong>Para o Poder Público:</strong> Avançar em marcos legais de transparência, rotulagem e responsabilização por conteúdos gerados por IA, além de aumentar a clareza e a frequência das comunicações oficiais para reduzir o espaço das narrativas falsas.</p>
<p><strong>Para a Sociedade:</strong> Expandir programas de educação midiática e conscientização focados no reconhecimento de conteúdos gerados por IA e narrativas enganosas. Fortalecer iniciativas comunitárias, coordenar ações para respostas rápidas e incentivar denúncias de conteúdos suspeitos, sobretudo em aplicativos de mensagens como o WhatsApp.</p>
<p>Ainda assim, todo cuidado é pouco. Na guerra da desinformação, todos somos vítimas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p><strong>* Darlene Menconi</strong> é presidente da APJor.</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
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		<title>Como financiar o Jornalismo nativo digital? Conheça alguns caminhos.</title>
		<link>https://apjor.org.br/como-financiar-o-jornalismo-nativo-digital-conheca-alguns-caminhos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APJor]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Feb 2026 14:40:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://apjor.org.br/?p=5096</guid>

					<description><![CDATA[<p>Por enquanto, só 7% do bolo financeiro das plataformas chega aos jornalistas. Mas há soluções para quem souber usar os dados a seu favor.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Por <strong>Dal Marcondes</strong>*</p>
<p><strong>O paradoxo da abundância</strong></p>
<p>No cenário contemporâneo, o Jornalismo vive uma dicotomia brutal. Nunca se produziu tanta informação, nunca o acesso foi tão democrático e, simultaneamente, nunca foi tão difícil fechar o balanço financeiro de uma redação. O Jornalismo nativo digital — aquele que nasce, respira e se distribui exclusivamente nos bits da internet — vive não apenas uma crise de audiência, mas uma crise de modelo.</p>
<p>A questão central que ecoa nos corredores das startups de mídia e nas salas de aula de comunicação é: <strong>como financiar a operação, bancar os custos e remunerar dignamente os profissionais em um ecossistema que parece valorizar o tráfego em detrimento da profundidade?</strong> Esta pesquisa não é meramente teórica; ela busca ser a bússola para jornalistas e empreendedores que tentam navegar em mar aberto, onde as bússolas tradicionais (publicidade de massa e assinaturas físicas) já não apontam para o norte.</p>
<p><strong>A crise da verdade e a vanguarda digital</strong></p>
<p>O relatório <em>Digital News Report 2018</em>, do Reuters Institute, já sinalizava uma tendência que só se agravou: 75% dos leitores acreditam que editores e plataformas têm a responsabilidade de higienizar o ambiente informativo contra as <em>fake news</em>. No entanto, o &#8220;vírus&#8221; da desinformação é mutante. Enquanto notícias inventadas são fáceis de detectar, a verdadeira dificuldade reside no Jornalismo tendencioso ou impreciso das mídias convencionais.</p>
<p>Aqui reside a oportunidade para o Jornalismo nativo digital. Por dominar as ferramentas e a gramática do ecossistema em rede, esses novos veículos podem — e devem — assumir a vanguarda na desconstrução de narrativas falsas. Mas a credibilidade, embora seja o ativo mais precioso do jornalista, não paga as contas do servidor por si só.</p>
<p><strong>Inovação disruptiva: o dilema do inovador na comunicação</strong></p>
<p>Para entender por que as grandes corporações de mídia estão sofrendo, precisamos recorrer a Clayton M. Christensen e seu conceito de <em>inovação disruptiva</em>. Publicada em 1997, a obra <em>O dilema do inovador</em> explica como processos novos, simples e convenientes podem redefinir indústrias inteiras, tornando os gigantes obsoletos.</p>
<p>No Jornalismo, a disrupção não veio apenas no conteúdo, mas na <strong>logística</strong>.</p>
<ul>
<li><strong>O modelo antigo</strong>: Envolvia gráficas pesadas, frotas de caminhões e uma distribuição física que se configura como um dos maiores gargalos de custo da indústria.</li>
<li><strong>O modelo digital</strong>: Reduziu os custos de distribuição a quase zero. Sites, blogs e redes sociais eliminaram o caminhão de entrega, mas também eliminaram a exclusividade do veículo sobre o seu público.</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p>Hoje, jornais e revistas não competem apenas entre si. Eles competem pela &#8220;economia da atenção&#8221; contra o Netflix, o Spotify, YouTube e streamings em geral. O texto, formato mais tradicional de profundidade e articulação lógica, precisa agora provar seu valor em um mundo visual e fragmentado.</p>
<p><strong>Da mídia de massa à massa de mídias</strong></p>
<p>Ignácio Ramonet (2012) capturou com precisão a transição do século 20 para o 21. Saímos de um cenário onde poucos falavam para muitos (mídia de massa) para um onde todos falam para todos (massa de mídias). Essa pulverização criou o que Ramonet chama de &#8220;desespero das mídias&#8221;: na falta de um modelo financeiro claro, a métrica de qualidade passou a ser a audiência pura.</p>
<p>Se o mercado é impiedoso com veículos que não geram lucro, o Jornalismo se vê forçado a experimentar. A pesquisa &#8220;Ponto de Inflexão&#8221; da Sembra Media (2016) mostra um dado revelador: <strong>66% das startups de Jornalismo bem-sucedidas na América Latina têm três ou mais fontes de financiamento</strong>. A monocultura do anúncio morreu; o futuro é a policultura de receitas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Principais Formatos de Financiamento (Dados SembraMedia)</strong></p>
<table style="height: 623px;" width="770" cellspacing="1" cellpadding="1">
<tbody>
<tr valign="top">
<td width="285" height="45"><b>Formato</b><b> </b><b>de</b><b> </b><b>Financiamento</b></td>
<td width="166"><b>Porcentual</b><b> </b><b>de</b><b> </b><b>Adoção</b></td>
</tr>
<tr valign="top">
<td width="285" height="47">Anúncios de Banner (Display)</td>
<td width="166">31%</td>
</tr>
<tr valign="top">
<td width="285" height="47">Publicidade Nativa / Conteúdo de Marca</td>
<td width="166">28%</td>
</tr>
<tr valign="top">
<td width="285" height="47">Serviços de Consultoria</td>
<td width="166">28%</td>
</tr>
<tr valign="top">
<td width="285" height="47">Treinamentos e Cursos</td>
<td width="166">19%</td>
</tr>
<tr valign="top">
<td width="285" height="47">Subsídios e Grants (Fundações)</td>
<td width="166">16%</td>
</tr>
<tr valign="top">
<td width="285" height="47">Crowdfunding / Doações</td>
<td width="166">15%</td>
</tr>
<tr valign="top">
<td width="285" height="47">Google AdSense</td>
<td width="166">15%</td>
</tr>
<tr valign="top">
<td width="285" height="46">Eventos</td>
<td width="166">9%</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>O conceito de financiamento subsidiário</strong></p>
<p>O coração desta discussão é o que chamamos de <strong>financiamento subsidiário</strong>. Como o Jornalismo puro muitas vezes não é autossustentável em nichos digitais, a solução é utilizar a <strong>reputação da marca</strong> para vender outros produtos.</p>
<p>A lógica é simples: o Jornalismo de alta qualidade gera credibilidade. Essa <strong>credibilidade</strong> é o &#8220;motor&#8221; que permite à empresa <strong>vender consultoria, cursos, eventos ou relatórios <em>premium.</em></strong> O Jornalismo atua como a atividade-fim, mas não necessariamente como a principal fonte de receita bruta. <strong>O Jornalismo é o garantidor do valor da marca</strong>.</p>
<p><strong>Jornalismo e Democracia: Um Vínculo Inquebrável</strong></p>
<p>A Primeira Emenda da Constituição dos EUA (1798) não é apenas um marco jurídico, é a fundação do Jornalismo como o &#8220;cão de guarda&#8221; da sociedade. O papel de vigiar o poder e dar voz à opinião pública exige independência. E não existe independência editorial sem independência financeira.</p>
<p>No ecossistema digital, o Jornalismo enfrenta o fenômeno que Umberto Eco descreveu como a voz do &#8220;idiota da aldeia&#8221;. As redes sociais horizontalizaram o debate, mas também removeram o filtro da apuração. O papel do jornalista moderno não é mais apenas &#8220;dar a notícia&#8221;, mas sim &#8220;validar a verdade&#8221; em meio ao caos informacional.</p>
<p><strong>A armadilha das plataformas: onde está o dinheiro?</strong></p>
<p>De acordo com os estudos de Caio Tulio Costa, a cadeia de valor no mundo digital é profundamente injusta para o produtor de conteúdo. Enquanto no modelo industrial o jornal ficava com a maior fatia da receita publicitária, no digital o dinheiro se dilui:</p>
<p><strong>Telecomunicações</strong>: Capturam cerca de 60% da renda do ecossistema.</p>
<ol>
<li><strong>Hardware (Apple, Samsung, etc.)</strong>: Ficam com 14%.</li>
<li><strong>Plataformas (Google, Facebook)</strong>: Abocanham 22% através de algoritmos de mineração de perfil.</li>
<li><strong>Produtores de conteúdo (jornalistas)</strong>: Ficam com apenas 7% do bolo financeiro.</li>
</ol>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Comparativo da distribuição de valor: a grande inversão</strong></p>
<p>Há uma diferença brutal entre como o dinheiro era distribuído na era industrial (jornais impressos) versus como ele é fatiado na era digital. A fonte dos dados é a Sembra Media.</p>
<p><strong>1. Era Industrial (monopólio do veículo)</strong></p>
<ul>
<li><strong>Controle</strong>: O jornal era dono da gráfica (hardware) e da logística de entrega (distribuição).</li>
<li><strong>Receita</strong>: O veículo ficava com quase 100% do valor pago pelo anunciante e pelo leitor.</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>2. Era Digital (ecossistema fragmentado)</strong></p>
<ul>
<li><strong>Controle</strong>: O veículo não controla o dispositivo (Apple), nem o sinal (telecom), nem o acesso ao público(Google/Meta).</li>
<li><strong>Receita:</strong> O veículo fica com apenas 7%. É aqui que reside o &#8220;dilema do inovador&#8221;: o custo de produzir a notícia continua alto, mas o retorno direto dela caiu drasticamente.</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p>Esta &#8220;fatia do leão&#8221; capturada pelas <em>Big Techs</em> obriga os produtores de conteúdo a serem mais do que editores; eles precisam ser estrategistas de negócios. A sobrevivência depende de fugir da dependência total da publicidade programática (Google AdSense etc.) e buscar o engajamento direto com comunidades de nicho.</p>
<p><strong>O futuro é pós-industrial</strong></p>
<p>O relatório Jornalismo Pós-Industrial (Anderson, Bell e Shirky) estabelece cinco convicções fundamentais para o futuro:</p>
<ol>
<li>O Jornalismo é essencial para a vida civil.</li>
<li>O bom Jornalismo <strong>sempre</strong> foi subsidiado (seja por anúncios de classificados no passado ou por doações hoje).</li>
<li>A internet destruiu o subsídio publicitário tradicional.</li>
<li>A reestruturação das redações é obrigatória e urgente. Existem oportunidades inéditas para quem souber usar os dados a seu favor.</li>
</ol>
<p>&nbsp;</p>
<p>Philip Meyer, em sua obra clássica sobre o desaparecimento dos jornais, alerta que a abundância de informação gerou a <strong>escassez de atenção</strong>. O diferencial competitivo não é mais ter a notícia primeiro — o Twitter (X) já faz isso — mas sim ter a melhor explicação e a maior confiança do público.</p>
<p><strong>Conclusão: O Caminho da Sustentabilidade</strong></p>
<p>A transição do Jornalismo industrial para o digital é um processo doloroso, mas repleto de potencial. O financiamento subsidiário, aliado à construção de comunidades de interesse e ao uso inteligente de múltiplas fontes de receita, parece ser o único caminho viável para manter a independência editorial.</p>
<p>As organizações brasileiras que estão florescendo no ambiente digital são aquelas que entenderam que não vendem apenas &#8220;notícias&#8221;, mas sim <strong>reputação e serviço</strong>. A qualidade do conteúdo atrai a audiência qualificada; <strong>a credibilidade da marca permite monetizar serviços paralelos</strong>. É um ciclo virtuoso que, se bem gerido, garante que o &#8220;quarto poder&#8221; continue a exercer seu papel vital de fiscalizador da democracia.</p>
<p>O Jornalismo não está morrendo; ele está apenas mudando de pele. E nesta nova pele, a tecnologia é a ferramenta, mas a ética e a criatividade empresarial são o coração da sobrevivência.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Oportunidades do financiamento subsidiário</strong></p>
<table style="height: 447px;" width="974" cellspacing="1" cellpadding="1">
<tbody>
<tr valign="top">
<td width="141" height="67"><b>Pilar</b><b> </b><b>Editorial </b><b>(Qualidade)</b></td>
<td width="178"><b>Produto</b><b> </b><b>Subsidiário </b><b>(Oportunidade)</b></td>
<td width="230"><b>Por</b><b> </b><b>que</b><b> </b><b>funciona?</b></td>
</tr>
<tr valign="top">
<td width="141" height="70"><b>Investigação profunda</b></td>
<td width="178">Relatórios <i>Premium</i> / <i>White Papers</i></td>
<td width="230">O dado bruto da apuração vira <i>insight</i> de negócio.</td>
</tr>
<tr valign="top">
<td width="141" height="70"><b>Autoridade</b><b> </b><b>do </b><b>repórter</b></td>
<td width="178"><span lang="en-US"><i>Master classes</i></span> e Mentorias</td>
<td width="230">O jornalista é visto como um mentor/especialista.</td>
</tr>
<tr valign="top">
<td width="141" height="70"><b>Base</b><b> </b><b>de</b><b> </b><b>dados </b><b>própria</b></td>
<td width="178">Consultoria de Cenários</td>
<td width="230">O veículo antecipa tendências antes do mercado.</td>
</tr>
<tr valign="top">
<td width="141" height="68"><b>Engajamento</b></p>
<p><b>de </b><b>nicho</b></td>
<td width="178">Eventos e Fóruns Temáticos</td>
<td width="230">Conecta marcas a uma</p>
<p>audiência hipersegmentada.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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