Crédito da ilustração: Public Domain Image Archive. “O dono de jornal de fin de siècle”, de Frederick Burr Opper, 1894. Da esq. para a dir., os cartazes dizem: notícias fraudulentas, mentiras, sensação barata.
Por Mara Ribeiro*
Vivemos hoje num oceano de dados, onde a informação se tornou o “petróleo” do Jornalismo – mas não sabemos como extrair valor desses dados. Para discorrer sobre esse cenário, a APJor recebeu a jornalista e publicitária Luciana Duarte, experiente em comunicação e marketing, com MBA em Planejamento de Marketing Estratégico. Após 17 anos como editora de publicações segmentadas, ela cofundou a X500, uma aceleradora de negócios de marketing e vendas. Especializada em estratégia de monetização baseada em dados, nos últimos anos tem atuado também nas áreas de integração de dados, inteligência artificial, realidade aumentada, comunicação em rede, monetização de canais jornalísticos e mídia tradicional versus redes sociais, entre outros temas complexos.
“O jornalismo tradicional perdeu o controle sobre a informação e está competindo com influenciadores digitais por atenção, sendo forçado a produzir conteúdo em formato de pílulas de um minuto e trinta segundos para competir com as plataformas de redes sociais”, disse Duarte na terceira palestra da série O Jornalismo do futuro e o futuro do Jornalismo, organizada pela APJor.
Os jornalistas devem se adaptar a essa nova realidade, optando por dominar o poder de síntese e entender o público-alvo para um conteúdo mais eficaz, explica Luciana. Quem domina bem essa seara, segundo ela, é Ricardo Amorim, que é bem-sucedido na era digital, com seu próprio canal no Linkedin. O que demonstra uma tendência de os comunicadores serem informativos e opinativos para conquistar audiência.
Transformação do Jornalismo
Duarte discutiu a transformação do jornalismo e da comunicação digital nos últimos dez anos, passando por internet, tráfego de dados e interferências de algoritmos e de influenciadores digitais. Destacou como os influencers se tornaram estrategistas de comunicação que influenciam primeiro para depois comunicar/vender. Ela questionou se as próximas gerações poderão ser influenciadas no modelo atual – elas parecem preferir comunicação não verbal e cada vez mais abreviada, como ocorre em plataformas como TikTok e Snapchat. Os participantes concordaram que o problema não é a existência de influenciadores, mas quando opiniões e interesses comerciais passam a valer mais do que informação de qualidade, enfatizando a necessidade de o jornalismo voltar a focar em informar com profundidade e ética.
Revelar a nova era
A palestra discutiu vários temas, como o impacto dos influenciadores digitais no Jornalismo tradicional. “Os meios de comunicação se comprometeram com a competição por likes e cliques em vez de focar na qualidade do conteúdo”, disse ela. Argumentou, ainda, que os empreendedores de mídia precisam parar de vender dados e focar em informação de qualidade, se recuperando do deslumbramento com a internet. Duarte citou plataformas como Taboola e as mudanças nos algoritmos do Facebook como origem da transformação da informação em algo incontrolável, afetando negativamente tanto os jornalistas quanto a profissão em geral. Na sua opinião, as empresas jornalísticas poderiam explorar melhor os dados através de pesquisas de mercado mais aprofundadas e análises estratégicas, não apenas confiando nos números básicos do Google Analytics.
* Mara Ribeiro é vice-presidente da APJor.
Saiba mais:
• Íntegra da palestra de Luciana Duarte: https://youtu.be/TXgUJQuXbsc?si=73WLGJA0pR5rUxa6
• Reportagem da revista Exame sobre a carreira de Luciana Duarte como estrategista: https://exame.com/negocios/ela-criou-uma-empresa-que-ja-gerou-r-340-milhoes-em-faturamento-para-clientes/