Rede de proteção a jornalistas em atividade

Rede de proteção de jornalistas e comunicadores já está em atividade

A Rede Nacional de Proteção de Jornalistas e Comunicadores, lançada no final de agosto, tem como objetivo garantir a segurança dos profissionais da imprensa e de comunicadores por meio de denúncias, acompanhamento jurídico e mobilização da sociedade civil

Da Redação

Lançada em 31 de agosto passado, a Rede Nacional de Proteção de Jornalistas e Comunicadores está em plena atividade e já recebeu três denúncias, cujos dados serão mantidos em sigilo até que se analise a conveniência de divulgá-los. Além disso, estão programadas para outubro várias atividades virtuais sobre ameaças e agressões envolvendo profissionais de comunicação, entre elas oficinas e cursos.

A Rede é uma iniciativa do Instituto Vladimir Herzog e da Artigo 19. Conta ainda com o apoio, entre outras entidades, da Repórteres sem Fronteiras, do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social e da Associação Profissão Jornalista (APJor). O objetivo, segundo Giuliano Galli, coordenador de jornalismo e liberdade de expressão do Instituto Vladimir Herzog, é combater o avanço dos ataques e das ameaças à liberdade de expressão.

O combate será travado, conforme Galli, por meio da denúncia de casos, de processos de formação e de estratégias para garantir a participação de diferentes atores que podem e devem contribuir com a segurança dos profissionais da imprensa, que exercem um papel crucial para o bom funcionamento do regime democrático.

“Os ataques a jornalistas e comunicadores no Brasil atingiram níveis extremamente preocupantes, que colocam em risco a nossa democracia. E é justamente isso que o projeto busca: garantir a segurança dos profissionais da imprensa e comunicadores e, com isso, fortalecer o nosso já tão combalido regime democrático”, afirma Galli.

Como funciona

O processo de denúncia, realizado por meio do site  da Rede, prevê assessoria jurídica aos profissionais e contempla seis etapas, segundo procedimento estabelecido pela Rede:

  • A denúncia é recebida de forma segura e privada;
  • O caso é analisado;
  • É feito contato com o denunciante para a coleta de mais informações;
  • A possibilidade (assim como a necessidade) de divulgação do caso é avaliada;
  • É analisado o encaminhamento em outras frentes, em parceria com a vítima; e
  • Acompanha-se o desdobramento do caso.

As diretrizes do projeto foram construídas a partir de dois encontros realizados em São Paulo, em 2018 e 2019, que reuniu jornalistas, comunicadores e representantes de organizações da sociedade civil, de coletivos de mídia e de outras iniciativas de defesa dos direitos humanos. Segundo Galli, além do engajamento destas organizações e das dezenas de ativistas, jornalistas e comunicadores que compõem a Rede, a concretização do projeto só foi possível graças a parcerias, financiadores da iniciativa privada e emendas parlamentares – recursos públicos destinados por parlamentares para potencializar iniciativas que beneficiem a população e a sociedade brasileira.

A APJor na Rede

Sobre a participação da APJor nesse processo, Galli avalia que foi muito importante no sentido de ajudar a formular os princípios de constituição e atuação da Rede, além de contribuir para a articulação com outras entidades. “É uma grande parceira”, afirma.

O presidente da APJor, Fred Ghedini, por sua vez, afirma que a criação da Rede é de fundamental importância neste momento em que aumentam as ameaças e as agressões a jornalistas e comunicadores. “O Brasil é um dos campeões entre os países onde há agressões a profissionais de comunicação”, afirma. E acrescenta: “É preciso haver uma reação, sempre que ocorrer ameaças ou agressões. Se houver uma reação a toda agressão, os agressores verão que há resistência por parte de jornalistas e comunicadores. Assim, serão cada vez mais desestimulados na promoção dos ataques.”

E conclui: “Desde quando criamos a APJor, em 2016, a rede de proteção a jornalistas sempre esteve entre nossas prioridades. A coincidência de o IVH ter tomado a dianteira neste processo foi muito feliz. Ao sabermos da iniciativa, não tivemos a menor dúvida em participar”.

APOIE, DIVULGUE E USE

Com proteção, jornalistas ficam mais fortes, o jornalismo mais independente e a democracia fortalecida

Saiba mais:

Rede de Proteção de Jornalistas e Comunicadores

O que é a Rede

Ilustração: Sobre foto de Markus Spiske, no Pexels

APJor

APJor

A Associação Profissão Jornalista – APJor é uma organização nascida do Movimento Jornalistas Pró-Conselho, criada na assembleia de 22 de outubro de 2016, na Câmara Municipal de São Paulo, com a presença de 40 jornalistas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *