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	<title>Arquivo de Bolsonaro - Associação Profissão Jornalista</title>
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		<title>Silêncio do noticiário revela ambiguidade do “oposicionismo” da mídia corporativa</title>
		<link>https://apjor.org.br/artigo-luis-felipe/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APJor]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 May 2021 21:50:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[adriano nobrega]]></category>
		<category><![CDATA[agencia pública.]]></category>
		<category><![CDATA[Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[casas bahia]]></category>
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		<category><![CDATA[Folha de S. Paulo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os jornalões passaram ao largo de graves denúncias sobre um gigantesco esquema de pedofilia do fundador das Casas Bahia, Samuel Klein, e sobre os indícios de conexão do presidente da República com o Escritório do Crime. Leia neste artigo do professor Luis Felipe Miguel, da UnB</p>
<p>O post <a href="https://apjor.org.br/artigo-luis-felipe/">Silêncio do noticiário revela ambiguidade do “oposicionismo” da mídia corporativa</a> apareceu primeiro em <a href="https://apjor.org.br">Associação Profissão Jornalista</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por</em> <strong>Luis Felipe Miguel</strong><em>*</em></p>
<p>Ontem, em boa coluna, a ombudsman da <em>Folha</em> anotou seu estranhamento com o fato de que, exceto por duas colunas de opinião, o jornal ignorou a grave reportagem sobre o falecido Samuel Klein, publicada pela Agência Pública.</p>
<p>São fortíssimas as evidências de que o fundador das Casas Bahia mantinha um gigantesco esquema de pedofilia e foi responsável por violência contra muitas centenas de meninas. O filho, Saul Klein, que reportagem anterior de Monica Bergamo revelou que está sendo processado pelo mesmo motivo, teria simplesmente herdado a estrutura montada pelo pai.</p>
<p>Era como um departamento extra das Casas Bahia, exclusivamente para gerir a pedofilia, com automóveis e helicópteros para transportar as vítimas, seguranças e advogados para amedrontá-las, agenciadoras, enfermeiras etc. Dezenas de processos foram encerrados com acordos de confidencialidade.</p>
<p>Acho difícil que tudo isso se destinasse apenas à satisfação da perversão do dono da empresa. Cheira a um “serviço” destinado a clientes importantes, o que também ajudaria a explicar a prolongada impunidade de algo que era de conhecimento de tanta gente. Mas estou apenas especulando.</p>
<p>É de se perguntar o porquê do relativo silêncio da <em>Folha</em>. Longe de mim desculpar a mãe e a madrasta da menina Ketelen – nem tenho coragem de colocar por escrito o que desejo para elas. Mas por que o jornal faz uma cobertura tão extensa e mesmo, por vezes, sensacionalista do infanticídio cometido por duas ferradas e não julga que seus leitores devam ser informados sobre uma indústria de pedofilia comandada por empresários poderosos e bem relacionados na elite paulistana?</p>
<p>Tudo isso para observar outra ausência da cobertura da <em>Folha</em>, que talvez a ombudsman possa questionar no domingo que vem: o provável contato de milicianos com Bolsonaro (“o cara da casa de vidro”, “Jair”, “presidente”), logo após a morte de Adriano da Nóbrega. A reportagem do <em>Intercept Brasil</em> deixa pouca margem para dúvidas.</p>
<p>Se não fosse pela coluna de Celso Rocha de Barros hoje, o caso teria passado completamente despercebido na Folha.</p>
<p>A ausência, que a <em>Folha</em> compartilha com o <em>Estadão</em> e com <em>O Globo</em>, mostra a ambiguidade do “oposicionismo” da grande imprensa.</p>
<p>Talvez seja a má consciência. As conexões de Bolsonaro com o crime organizado eram bem conhecidas, mas os jornalões preferiram ocultá-las quando aderiram à sua candidatura à presidência.</p>
<p>Como bem lembrou Celso Rocha de Barros, a relação de Bolsonaro com as milícias é um elemento de enorme gravidade da conjuntura política.</p>
<p>Trata-se de um sujeito que, além de não ter nenhum apreço à democracia, morre de medo de deixar o cargo – porque sabe que, se a lei voltar a vigorar no país, seu lugar e o de seus familiares é a cadeia. E, como observa Adam Przeworski em seu (não muito bom) livro <em>Why bother with elections? </em>(Por que se incomodar com eleições?), governantes que sofrem riscos graves de punição não são muito propensos a aceitar a alternância no poder.</p>
<p>E esse sujeito é íntimo de grupos de facínoras armados, que penetram fortemente nas corporações policiais. Como isso pode ser legitimamente descartado do noticiário?</p>
<p><em>* Luis Felipe Miguel </em>é professor de Ciências Políticas na Universidade de Brasília (UnB)</p>
<p>Texto originalmente publicado em 26 de abril <a href="https://www.facebook.com/luisfelipemiguel.unb">no seu Facebook</a></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>Para saber mais:</strong></p>
<p>Da Agência Pública: <a href="https://apublica.org/2021/04/as-acusacoes-nao-reveladas-de-crimes-sexuais-de-samuel-klein-fundador-da-casas-bahia/">As acusações não reveladas de crimes sexuais de Samuel Klein, fundador da Casas Bahia</a></p>
<p>Do Intercept Brasil: <a href="https://theintercept.com/2021/04/24/grampos-comparsas-miliciano-adriano-da-nobrega-bolsonaro/">‘O cara da casa de vidro’</a></p>
<p>Coluna de Celso Rocha de Barros: <a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/celso-rocha-de-barros/2021/04/quantos-dos-aliados-de-bolsonaro-nas-policias-sao-gente-como-adriano-da-nobrega.shtml">Quantos dos aliados de Bolsonaro nas polícias são gente como Adriano da Nóbrega?</a></p>
<p>Reportagem de Monica Bergamo: <a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2020/12/duas-mulheres-que-acusam-saul-klein-de-estupro-ja-receberam-quantia-milionaria-apos-ameacar-expo-lo-diz-advogado.shtml">Duas mulheres que acusam Saul Klein de estupro já receberam ‘quantia milionária’ após ameaçar expô-lo, diz advogado</a></p>
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		<title>A trajetória das milícias numa narrativa de alta voltagem</title>
		<link>https://apjor.org.br/a-trajetoria-das-milicias-numa-narrativa-de-alta-voltagem/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[APJor]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Oct 2020 19:54:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[LIVROS]]></category>
		<category><![CDATA[A República das Milícias]]></category>
		<category><![CDATA[Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Bruno Paes Manso]]></category>
		<category><![CDATA[Família Bolsonaro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O livro “A República das Milícias”, do jornalista Bruno Paes Manso, faz um estudo aprofundado da violência brasileira com foco desde o surgimento dos esquadrões da morte, na década de 60, até o aparecimento de milicianos, a conexão da família Bolsonaro com essas organizações e a dinâmica do modelo de negócio desses grupos.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Antonio Graça</em></p>
<figure id="attachment_3024" aria-describedby="caption-attachment-3024" style="width: 300px" class="wp-caption alignleft"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-3024" src="http://apjor.org.br/wp-content/uploads/2020/10/Bruno-Paes-Manso-300x195.png" alt="" width="300" height="195" srcset="https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2020/10/Bruno-Paes-Manso-300x195.png 300w, https://apjor.org.br/wp-content/uploads/2020/10/Bruno-Paes-Manso.png 427w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /><figcaption id="caption-attachment-3024" class="wp-caption-text"><em>Bruno Paes Manso é autor de A GUERRA: A ASCENSÃO DO PCC E O MUNDO DO CRIME NO BRASIL (Todavia, 2018), em coautoria com Camila Nunes Dias. É jornalista e pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP.</em></figcaption></figure>
<p>A combinação de um tema complexo e instigante com uma reportagem investigativa de alta voltagem – e uma ampla pesquisa sociológica – fazem do livro <em>A República das Milícias</em>, do jornalista Bruno Paes Manso, um dos mais importantes lançamentos editoriais deste ano. Dos esquadrões da morte, surgidos ainda na década de 1960, à era Bolsonaro e ao assassinato da vereadora Marielle Franco, o autor reproduz a cena criminal onde atuam policiais e políticos corruptos, matadores, justiceiros, traficantes, bicheiros e torturadores.</p>
<p>É um retrato por inteiro e das raízes de grande parte da criminalidade que devasta o país. O livro é escrito a partir de depoimentos dos protagonistas, como ex-milicianos, de conflitos altamente armados entre grupos que atuam nesta verdadeira guerra urbana. As entrevistas com as fontes impressionam pela franqueza e riqueza de detalhes, em que assassinatos se sucedem e as ligações entre policiais, o tráfico, o jogo do bicho e o poder público – criminosamente presente ou ausente – são revelados.com toda a atrocidade que os caracteriza.</p>
<p>Nesse sentido, um trecho livro é particularmente impressionante: “A existência de falas e crenças que justificam a ação dos homicídios se repete em realidade com taxas elevadas de violência, permitindo aos assassinos e homens violentos agir e depois explicar suas razões sem constrangimento. Essas justificativas: que se reproduzem como um padrão nas dezenas e dezenas de entrevistas que venho fazendo com matadores durante anos, sempre me impressionaram. Eles falam como se as vítimas fossem culpadas da própria morte; como se eles, os matadores, estivessem apenas agindo conforme as regras da coletividade local”.</p>
<p>O livro aborda ainda a conexão da família Bolsonaro com as milícias. Segundo o autor, Bolsonaro, visto como um político contrário à corrupção, defendia abertamente uma guerra violenta contra o crime, mesmo que ela produzisse homicídios. “Ele queria o armamento da população e tinha ligações diretas com integrantes de grupos milicianos do estado. Como e por que chegamos a esta situação?. Por que roubo e corrupção chocavam mais o leitor do que a violência?”, pergunta Manso.</p>
<p>A gênese, a dinâmica e os modelos de negócios das milícias são descritos com precisão no livro, que se mostram mais sustentáveis e geradoras de riqueza do que o tráfico. Foi numa reportagem da jornalista Vera Araújo, publicada no jornal <em>O Globo</em>, em 2005, que a expressão milícia foi usada pela primeira vez para definir esses grupos paramilitares que atuam na base da violência nas comunidades, cobrando mensalidade dos moradores e comerciantes em troca segurança, vendendo bujões de gás e assinaturas clandestinas de televisão, o chamado “gatonet”, entre outros “serviços”. Segundo o relato da repórter, eram grupos que baniam os pontos de drogas, afastavam os traficantes e executavam os ladrões para atrair o respeito e a obediência da população local.</p>
<p>Tudo isso e muito mais Manso aborda neste livro indispensável para se compreender uma grande parte deste país, constituída por grandes  comunidades urbanas. Um livro que, segundo o próprio autor, procura desenrolar o fio dessa história, sem a intenção de buscar culpados, mas para ajudar a compreender a lógica por trás das escolhas feitas e dos caminhos seguidos por seus protagonistas.</p>
<p>“A raiva e o ressentimento que inundaram as ruas levaram representantes desses sentimentos autodestrutivos à liderança do país. Entender essa trajetória, para evitar que esses erros se repitam, é uma das poucas saídas que restam aos brasileiros”, afirma Manso.</p>
<p><strong>Ficha</strong></p>
<p>A República das Milícias</p>
<p>Autor: Bruno Paes Manso</p>
<p>Editora: Todavia</p>
<p>Páginas: 304</p>
<p>Preço: R$ 64,90</p>
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